Domingo, Fevereiro 07, 2010

Pratos tradicionais: Funjada à angolana!

... para descobrir que a "Globalização" afinal tem séculos de idade!



Depois de um matabicho onde se aprecia uma boa caneca de chá de origem Asiática (e trazido pelos portugueses para a Europa onde era, inicalmente degustado apenas pela realeza e classes mais abastadas) com pão que encontrou a sua primeira versão há cerca de 6000 anos na Mesopotâmia, aquando do cultivo do trigo, vamos deitar mãos à preparação do almoço.

RECEITA: Muamba de galinha

Corta-se e lava-se uma galinha (os primeiros povos a ter galinhas domesticadas terão sido os antigos coríntios, na Grécia A.C.) e tempera-se com sal (cuja história conta ter começado a ser extraído pelos chineses e usado há mais de 5.000 anos na Babilónia e Egipto), alho de origem Asiática e jindungo oriundo das Caraíbas.
Faz-se um refogado (trazido pelas donas de casa metropolitanas) com cebola picada de origem Centro-asiática, óleo de palmeiras trazidas da África Oriental e põe-se a galinha na panela (se for feito em fogão a gás inventado pelo inglês James Sharp é mais rápido).
À parte, cozem-se e pisam-se os bagos de dendém (fruto das tais palmeiras vindas da África Oriental), separando-se os caroços. Para se obter este polme, junta-se água morna, espreme-se e côa-se. Por fim, junta-se esta massa à galinha, deixando-se cozer bem. Junta-se a abóbora nativa da América Latina (provavelmente México), cortada aos cubos, os quiabos originários do Continente Africano (e levados para o Brasil pelos escravos) e deixa-se acabar de cozer.
A muamba acompanha-se com funji, preparado com farinha de mandioca originária da América do Sul e trazida pelos europeus, cozida em água a ferver e batida até ficar sem "borbulhas".

À sobremesa pode sempre comer-se uma banana originária do Sudoeste Asiático, uma manga nativa do Sudoeste da Índia ou uma fatia de mamão com origem no Sul do México.

Bebidas? Sumo de caju originário do Brasil e levado pelos portugueses para a Ásia e para África ou sumo de tamarindo, fruto originário das Savanas Africanas.

TEMA PARA O CAFÉ (planta originária da Etiópia, levada para a Europa, depois do seu consumo passar pela Pérsia, e introduzido nas ex-colónias portuguesas através do Brasil): O que é "NOSSO"!

É engraçada a história das origens e a forma fantástica como os povos (todos eles) se vão apropriando e adoptando (fazendo seus) produtos, hábitos, materiais, sinais culturais, objectos, pensamentos e tantos outros etecéteras mais...

Assim sendo, a minha esperança é que, uma vez percebido (e aceite a ideia, de forma saudável e descomplexada!) que os actuais traços e espaços identitários - tão intrínsecos e indeléveis - são produto de trocas, absorções ou adopções, se aceitem outros elementos "importados" (ou retirados, porque não?) do património universal como parte integrante das novas formas culturais angolanas, como o são já a nível do vestuário, da escrita, da gastronomia, da perfumaria, da economia, dos transportes e da tecnologia.

Sopro da cozinha: - Ei! Ouvi dizer que um povo esclarecido é perigoso. Não se engasguem. Vai um golo de kisangwa de ananás de origem sulamericana e uns bagos de jinguba nativa da América do Sul e difundida do Brasil para África através dos europeus só no século XIX? Glup!...
Também há os sabichões quadrados e tendenciosos com as suas teorias esdrúxulas e afuniladas. De que terão medo esses complexados tão desesperadamente inseguros?
(OK! Para não falar mais, já enchi a boca de batata doce assada e originária das Américas Central e do Sul).
LOL. :-o

5 comentários:

Bruno disse...

Eheheheh, tu és chata. ;-)
E cheia de razão como sempre. E com a graça habitual. 5 stars!
É assim mesmo. Bjos e parabéns pelo espectáculo do CAN!

Anónimo disse...

Hoje não resisti e vou escrever.
Só dói a quem enfia o gorro!
Se as pessoas fossem mais livres para aceitar com naturalidade as evidencias da evolução das coisas todos eram mais felizes sem pensar no que convém e não convém assumir como «nosso».
Um abraço.
Está frio por estas bandas.
Manuel João

ParadoXos disse...

podes acreditar... fiquei muito contente, muito contente mesmo com a tua presença!

- fruto do respeito que tenho por este blog, obrigatório!


o apetite aqui é sempre bom!


abraços

Anónimo disse...

Minha querida :) :) :) ahahahahaha!
Esqueceste o luiko o pau que mexe o pirão que nem é colher de pau nem um pau de vassoura.
Mas pronto.... o meu filho já bate o pirão na Bimby o robot das cozinheiras europeias! Que fazer? Que aguada era o raio da batata doce que assei hoje. Fuuuuuuuuu! Nem melou no forno e sabia a «nada».
Bjos
Mulemba

Anónimo disse...

A língua em que nos expressamos em Angola é a língua portuguesa, é atravéz dela que nos comunicamos e não será fácil se usar outra pois existem muitas línguas locais em que nenhuma é dominada por todos os angolanos.
O português foi a língua da colonização, foi o colono que trouxe e hoje é usada oficialmente pelo governo, pelas escolas, pela política e pela cultura.
Porque não? Ela já nos pertence pois a utilizamos. Será que ao pensarmos nisso vamos nos retrair?
Temos que defender e estudar as nossas línguas nacionais mas elas não acompanharam o desenvlvimento tecnologico. É preciso que se tornem dinámicas.
Do futuro nada sabemos e por agora é mesmo este veiculo que usamos para nos entendermo-nos.
Kandandos!
Rui M. N.