Entretanto, em Angola...
Olhem-m'esta (pérola/kamanga que me chegou às mãos)! A empresa norueguesa Hydro meteu água. Ehehehehhe!... (não tem graça nenhuma)
Era uma vez, duas "expertas" norueguesas que decidiram vir tentar a sua sorte em Angola, paraíso de tolos (terão pensado as tais damas). São elas Sonja A. Skaug, ceramista e Unni Skogen, com 'formação em antropologia social [não deve ter passado do 1º ano] e design' as quais, sob a chancela da Hydro (sempre o mesmo líquido sujo e pegajoso) publicam, com todo o descaramento, o livro Sona, prometendo "continuar a apoiar o Museu do Dundu na investigação da tradição 'Sona' da região Lunda" (p. 12). Uma idiotice que se torna mais insólita quando elas referem que o fazem "como um sinal de respeito a ambos [Redinha e Fontinha]".
Vai daí e toca de ir ao Museu de Nacional Antropologia, em Luanda, fotocopiar o livro de Mário Fontinha Desenhos na areia dos Quiocos do Nordeste de Angola e praticar, impunemente, um dos maiores crimes contra a propriedade intelectual, o plágio. Resultado: Nunca foi tão fácil escrever um livro!

O original de Mário Fontinha
Muito atraente por fora (e luxuoso, com capa rígida e tudo!), igualmente recomendado a quem quer saber sobre a cultura em Angola e vastamente comentado por 'estudiosos' que, pelos vistos, possuem algumas debilidades no que respeita à bibliografia sobre a cultura angolana (para não repetir a temida palavra ignorância), este livro é tão vergonhoso como as autoras que o 'nasceram' (ou 'clonaram').

A cópia/crime de S. Skaug e U. Skogen
Pasmem e acreditem, se quiserem, mas as imagens (sona) são exactamente as mesmas (até o número de pontos é igual, coisa rara). Ora, estes desenhos não podem ter sido recolhidos recentemente, muito menos em um mês pois, se por um lado, desenhar na areia é uma prática mais ou menos privada, por outro, e infelizmente, é uma prática que está em extinção. De igual modo, e sendo estes desenhos um suporte ideográfico da oratura, não podem existir dois desenhos exactamente iguais, tal como as histórias não são sempre contadas com as mesmas palavras.
Portanto, o pior de tudo acaba por ser os textos correspondentes a cada desenho; não apenas são (mesmo) CÓ-PI-A dos recolhidos por Fontinha, como alguns estão dispostos na mesma ordem em que o autor original as organizou.
A grande DIFERENÇA é que o Dr. Mário Fontinha, como investigador sério que era, refere - em oito (!) páginas (da 296 à 304) - os nomes de todos os executantes de desenhos na areia que com ele colaboraram (na sua maioria grandes sobas e seus filhos) e os lugares onde os mesmos foram recolhidos, o que não acontece no livro das 'norueguesas' (então, dona antropóloga, os diplomas estavam em saldo?), onde não se refere um único nome e se atira um agradecimento genérico a 'todos os akwa kuta sona' (quais?). Mas esta referência não poderia acontecer pois nem as pessoas que trabalharam com Fontinha (já falecidas, na sua maioria) nem outras existiram nesta 'farsa' pesquisa, bem como não existiu campo de trabalho, a não ser o livro de M. Fontinha fotocopiado de um museu em Luanda.
É claro que toda a gente se animou com o livro e o recomendou ou ofereceu como presente de Natal aos amigos. Mas ninguém percebeu que era "obra" de duas malucas (a que se diz antropóloga ainda mais que a pintora que só recopiou - sem qualquer criatividade - os desenhos e lhes deu cor e uma moldura muito "afro-étnica") aproveitadoras a tentar convencer-nos que "... a fascinante colecção do museu em desenhos na areia e suas fábulas foi indispensável à nossa [delas] investigação" tal como referem no 'Agradecimento'.
Investigação!?? Apoiar o Museu do Dundu com cópias e nada de novo!?? Francamente!!!!!
Alguém ainda precisa de um par de óculos? (Para o caso de... ninguém se lembrar, entretanto de reeditar a obra original.)
2 comentários:
Ana
Não tenho ideia de quando foi a ultima vez que vim ao teu blog! De repente, ontem em casa deu-me para tentar telefonar-te. Não consegui e hoje vim aqui a tempo de ver essas "pérolas" do plágio grosseiro e impune (impune?!!).
Acho que cabe uma ação, SIM!
Um beijo (saudade)
Não posso crer...ao que chega a «pobreza»!
Vejo e confirmo o que constatei in loco.
2004, tinha que chamar engenheira a uma pobre coitada, que se rotulou assim e era reconhecida como tal!(Nem uma cartinha simples sabia redigir).
2005, para não ferir a ignorância, tanto que me custou a aprender a pronunciar em pequena, «Swarovsky» (minha mãe, nunca perdeu a pronuncia e tinha a veleidade de me fazer ditados, ahahah! Em casa falava-se castelhano). Tive que ouvir pronunciar repetidamente como quem dá um arroto de kisaka, que o difícil palavrão, se dizia «Sacárove». Para não magoar, pois a asna era eu, lá tinha que fazer a vontade e dizer...que lindos são os teus sapatos com cristais da SACÁROVE!
Era tanta tanta a dor....
Pois....
Pois....
Minha querida!
Por isso « mi assosseguei e exilei»
Foram tantos os desenganos...
«Bem aventurados os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus».
POUCA VERGONHA CARAMBA!
Cá estou a sentir-me perto de ti e a aprender, o melhor que temos na vida.
Mulemba
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