Domingo, Agosto 31, 2008

ctg


Esta noite, procurei os anéis na bolsinha de veludo e amei-te,
assim...
vestida de ti.
Lda / 1990

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Paradoxando...

Gosto (muito) DESTE blog.
Partilho-o.

Sábado, Agosto 16, 2008

Verdade ou ...?


… Foi quando te aventuraste em mim, fazendo-te (a)mar em vagas de desgovernado prazer.
Eu era o deserto que desconhecias oferecendo-te, em desatino, os caminhos de um chão que jamais pensaras pisar.
Na imensidão de um desejo aprendido, te perdeste.
... e me encontraste; estava eu suspensa, esperando-nos, havia (quase) demasiado tempo…
Lda / 1987

Sexta-feira, Agosto 15, 2008

Passado, futuro e acabou-se!


Era assim
Foto: aqui

VER reportagem da morte aqui


Vai ser assim
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Quinta-feira, Agosto 14, 2008

KINAXIXE, MEU AMOR

“A lagoa ─ palácio de sereia, água de meu susto contentamento. Lhe enchi mais é com minhas lágrimas. A mata ─ o irmão lembra aquela família de paus-de –acácia, os que moravam na esquerda, entrada maculussence? O pai, patriarca, canivete de Xôa não entrou, hora que ele quis sinalar o nome na casca. As filhas, siras; as das chamas vermelhas, copa ardente; a do mel de alfarroba, as flores todas de minúsculo violeta...
As buganvílias é que eram roxas descuidadas, cresciam copas e bissapas, sem escravatura.”
Luandino Vieira


De alguma maneira esse lugar deve ter sido o centro do mundo, o umbigo do universo, começo das águas, placenta do húmus da terra ou a liberdade à sombra de deus, nos seus cantos de viuvinha alegre na roda e fora dela.
Primeiro a seda do lago: cabelos de limo, águas paradas, tempos amarrados em rosa dos ventos e tempestades antes semeadas e depois colhidas em canto de pássaros. As sombras pequenas (sereias, seres, nós) rodavam lentamente sob a direcção das grandes sombras. O gigante Adamastor dormia ali enfeitiçado do fogo preso pelos artistas do leste também chamados mbangalas e outros nomes. Era como se homens, mulheres, sereias, pássaros e monstros todos se apresentassem no templo redondo, ao ar livre e céu aberto, com as suas muralhas de paus de acácia e a mafumeira em cruz ao fundo, sempre verde, sempre alerta. Altar até que não havia, mas cheiro de mar aprisionado em frasco, água benta de todos os males, os cheiros verdes da terra afinados como cantos nos dias de chuva, esses era para dar e vender.

Na idade da prata foram secando a lagoa e trabalhando a terra com água em pequenas porções para suporte do chão. A lagoa resistiu o quanto pôde fazendo nascer árvores capim e cobras no meio do cimento. Fundaram as feiras (segunda, terça, quarta, quinta, sexta e domingo). Deixaram o sábado por ser dia de reunião, funje e casamento. As lentas operações da farinha e água a ferver pediam casa e fogo, pequenas abóboras amargas e folhas frescas. Nasceram meninos para saltar valas e muros, semear gritos e pancada. O olho verde da lagoa sempre presente. A doce canção da Joana maluca, de dia e de noite, repetindo: “É aqui que as águas respiram/sopro delas/cacimbos da gente...
Taparam quase tudo, a feira ficou mercado, um mercado feito templo com serenas colunas abertas para o sol. O infinito podia jogar às escondidas em todo o sítio. Porque nada era a porta aberta para o silêncio.

Uma mulher do norte chegou ali. Vinha fazer uma guerra de armas de repetição e carros de bois. Chamava-se Maria da Fonte (uma das sete, dizia-se) e montou ali o seu Kilombo. Kinaxixi meu amor falou, Kinaxixi Kiami aprendeu.
Um dia olhou para trás e virou estátua, não de sal como a mulher da outra história (de amor, salvação, caminho de luz, fogo e cadela Minerva a que morreu de seus próprios partos), mas estátua de mármore, mulher e todos membros do Kilombo mais as armas e peças de artilharia, tornados pedras no meio do Kinaxixi, que é como quem diz no meio dos nossos corações e da cidade. Alguns anos mais tarde trezentas cargas de nitroglicerina transformaram o Kilombo em pedaços de pedra muito pequeninos. No chão nasceu erva de arranca pedras e chá, outras histórias para contar.

No mesmo sítio nasceu a “economia informal” (as formas apareceriam mais tarde de camião, a petróleo, audis e muitas armas): uma mulher sózinha com as unhas dos pés pintadas de vermelho e um cabelo armado em rosa dos ventos vendia, com gestos lentos, um copo de Sbell (bebida, de fabrico local e curta duração), uma bolacha de água e sal e alguns “francesinhos”. O tempo das kinguilas, com a sua bolsa de valores montada na rua, vinha longe...
Novos ventos se amarram de novo, hoje, no Kinaxixi. Rios de cimento e lava jorram pelo chão. Que o olho verde da lagoa continue vivo.

Lisboa, Outubro, 2002
Ana Paula Tavares

Segunda-feira, Agosto 11, 2008

Antes e depois - Em nome do progresso!



As sete (in)diferenças


Fotos: M. Tendinha

Ainda há (muito) poucos dias havia o mercado do Kinaxixi. Hoje já não havia.
Para os românticos que, nas suas vidinhas ocidentais, acreditam que o meu país está a progredir, pergunto: faz sentido em ÁFRICA, trocar um MERCADO por um centro comercial envidraçado e climatizado?
Então e a nossa africanidade fica apenas para o "folclore" (seja lá o que isso for, ou o que quiserem que seja)?
Ninguém impede uma kambada de vorazes caprichosos de demolir uma obra assinada por um grande Mestre da arquitectura angolana?
Eu tenho a resposta: Puta que (os) pariu!!!!!

Domingo, Agosto 10, 2008

"Estamos sempre a subir!..."

Sobre o 'Edifício Baía'

(...) Bom dia Exmo Sr.
Apresento os meus cordiais cumprimentos a V. Exa.
Quanto ao seu pedido passo a informar:
As Tipologias T2 têm preços que variam entre USD 1.220.875,00 e USD 1.569.000,00; A tipologia T3 tem um preço de USD 1.930.800,00; As tipologias T4 têm preços que variam entre USD 3.156.600,00 e USD 6.179.500,00.
Os pagamentos serão efectuados de acordo com um calendário de 24 meses.
O sinal inicial será de 30%. A obra estará concluída em Dezembro de 2011.
Para obter mais informações estamos à sua disposição no local da obra.
Teremos muito gosto em contar com a sua visita. Grato pela sua consulta, subscrevo-me com consideração, de V. Exa.

Atentamente
(...)

[Isto não é um texto de ficção]

Sábado, Agosto 09, 2008

A angolanidade , a arquitectura e os Nacionalismos rácicos



Por mais que o não pretendam - e a opinião será livre em países livres de até poderem dizer asneiras , aspecto que será deveras salutar em confronto com todos aqueles que desde o século XV-XVI andam a seguir apenas e exclusivamente as "modas" políticas do mundo - a maioria dos mundos deste mundo , historicamente , continua a seguir o lema de " serem homens do seu tempo ": foram nacionalistas quando o nacionalismo venceu, foram capita listas quando o capitalismo despoletou em força, foram leninistas quando o leninismo andou a fingir que era dominante, e são nacional- liberais, quando, de novo, muito da barbarie capitalista se renova na arte de destruir para construir em novos moldes.

Porventura pode haver mil e um argumentos, mas há qualquer coisa de surrealismo neste conjunto de aspectos que , ano após ano, percorre as " ruas da amargura " da democracia formal angolana.
Bem podem as actuais forças democráticas formais virem com a estória - já que não , de todo , História daquilo que falam -, que será muito negativo , que não é assunto da sua conta , que é sinal de modernidade, que é assunto de especialistas, que é problema dos outros , aquilo que estão a fazer ao Mercado do Quinaxixe (repito, do Quinaxixe , pois são os vanguardistas do Kinaxismu todos, sejam eles do norte, do centro ou do sul, moderados ou radicais , de esquerda ou de direita, brancos, negros, azuis, encarnados ou mestiçados pelas várias cores do oportunismo conjuntural , que está na moda, não se sabe se longa, que aproveitam estas oportunidades individuais ou de pequenos grupos , sem ligar às legalidades nem à legitimidades)!
Bem podem afirmar que isso faz parte do boom angolano que nada tem a ver com os tempos passados , e - repetindo textos anteriores - , que isto faz parte de um acabar com " os vestígios do colonialismo " e que " nós fizemos mais nestes últimos anos do que os Colonos " durante não sei quanto tem po. Tudo é possível, tudo é permitido. Mas o que não se entende , de todo , é que este processo - o da liberdade de expressão ou o da liberdade de associação, não deixando de abordar a questão da liberdade de todos poderem ter direito ás mesmas oportunidades - , esteja a passar por um crivo que é absolutamente fraccionado por interesses multinacionais , angolanos e portugueses em primeira instância , que neste caso concreto são um bife de atum ou um bife de espadarte . É que poderiam ter escolhido para sempre poder ser " não alinhados " , quer dizer " nem carne, nem peixe "; poderiam ter escolhido abertamente ser "peixe à moda dos ilhéus" dali ao pé da Igreja do Padre Filipe que tinha , sabe-se lá se por moda , "um milhão " de sobri nhos ; poderiam ter escolhido ser apenas bife com ovo estrelado , à moda da Trindade de Lisboa , passe a propaganda que não será maior do que a dos meninos das t- shirts que se pavoneam dando de borla a publicidade toda às empresas que estão " coladas " ao seu corpo , sempre na moda . Não! Escolheram, de facto , ser bifes de atum ou de espadarte, não nos aspectos à moda de Nelson Mandela , antes dele aliás , não ! Escolheram , num aspecto deveras lamentável do processo de mudança ...ou de transformação?...social na terra de que se apropriaram totalitariamente: o da ruptura com o desenvolvimento humano , o do apoio aos " ricos e famosos", o da admissão da mediocridade como passo fundamental para a consolidação de uma classe provinciana , nacionalista ( do sul , do norte ou do centro ) e baseada em itens que pouco têm a ver , ao menos , com uma História colectiva e patrimonial .

Que vivam os impulsionadores da destruição do Mercado do Quinaxixe, repito, do Quinaxixe , exemplo de uma angolanidade que , já ao tempo em que se implantou, utilizou a mesmíssima ideologia . Em vez de construir ao lado , perto ou longe recuperando o antigo , constroe uma vez mais por cima da destruição. Ou construirá em cima das águas das correntes frias de Benguela . Não há dúvidas: hoje é possível afirmar que esses bifes de atum ou de espadarte são um caso de sucesso. Daqui a trinta anos , terão estátua, certamente à moda do tempo que houver, pois não são capazes, nunca foram capazes, de inovar. Nem nas teorias à moda de Joseph Schumpeter, na versão " destruir para construir melhor ". Porque será que o Macedo dos Direitos Humanos não fala neste assunto de lesa património que afecta as pessoas no seu direito histórico ?

Eugénio Monteiro Ferreira, 1 de Agosto de 2008

Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Outro figurino

Quinta-feira, Agosto 07, 2008

Um figurino


Os figurinos para a performance coreográfica do projecto «Oratura... dos Ogros... e do Fantástico», elaborados com materiais locais e inspirados em figuras do imaginário angolano, foram criados e desenhados por Nuno Guimarães.

Quarta-feira, Agosto 06, 2008

Namibe - 1, 2, 3 e 4 de Agosto