"OBAMEMO-NOS", por: Wa-Zani
Emocionei-me (e penso que não apenas eu) com as lágrimas do reverendo Jesse Jackson, defensor dos direitos civis nos EUA, durante o discurso de vitória pronunciado por Barack Obama. Quer Jesse Jackson, em 1984 e 1988, quer Al Sharpton, em 2004, foram candidatos à presidência dos EUA e assumiram-se, sobretudo, como representantes da comunidade afro-americana. Barack Obama foi capaz de se desprender das amarras que, numa sociedade marcadamente racial, o situam apenas como negro e apresentou-se como candidato de todos os americanos: “(…) não há uma América branca e uma outra negra. Há os Estados Unidos da América (…)”. Provavelmente, estará aqui a chave do seu sucesso, para o qual também contribuiu, indubitavelmente, a actual crise financeira mundial, os desaires na guerra do Iraque, do Afeganistão… e os sérios atropelos aos direitos humanos em Guantánamo.
Dois dias antes da eleição de Obama como futuro Presidente dos EUA, a maior superpotência mundial, o reverendo Jesse Jackson esteve no “The O´Reilly Factor”, da Fox News e, desconhecendo que o micro estivesse ligado, teceu comentários pouco abonatórios em relação a Obama, criticando-o por não falar nos assuntos verdadeiramente importantes para a comunidade negra, tais como: o desemprego, a crise dos créditos ou o número de negros nas prisões. Estas declarações acabaram por ser amplificadas pela media o que levou Jesse Jackson a pedir desculpas a Barack Obama pelas declarações proferidas, apesar das mesmas terem sido feitas em privado e não com o objectivo de causarem problemas ao candidato democrata: “eu estava a conversar com um amigo convidado pela Fox, no domingo e ele perguntou-me sobre os recentes discursos de Barack nas igrejas negras. Eu respondi que isso pode parecer que ele fala aos negros com condescendência”, procurou esclarecer Jackson. “Então eu telefonei imediatamente para a campanha do senador e enviei o meu comunicado de desculpas para reparar o mal que isso possa ter causado para a sua campanha, porque eu a apoio inequivocamente”.
As desculpas foram aceites por Obama. Contudo, Jesse L. Jackson Jr, deputado pelo Estado de Illinois, partidário de Obama e filho do reverendo Jasse Jackson, não deixou de condenar os comentários feitos por seu pai e frisou o seguinte: “o reverendo Jackson é meu pai e eu sempre o amarei. Ele deve saber o quanto trabalhei no último ano como co-presidente nacional da campanha presidencial de Barack Obama. Então, eu rejeito completamente e repudio a feia retórica dele”. Afirmou o deputado também em comunicado.
Na realidade, o mundo está em mudança. Uma mudança que, particularmente, sobre questões raciais, não começa com a eleição do primeiro presidente negro dos EUA, mas com o fim do “apartheid” e a nomeação de Nelson Mandela como presidente da República da África do Sul, após ter estado três décadas preso por lutar contra a segregação racial. Mandela nunca se assumiu como representante dos negros sul-africanos mas sempre como presidente de todos os sul-africanos. Martin Luther King, no seu conhecido discurso conhecido por “I have a dream”, realizado junto do Lincoln Memorial, em 28 de Agosto de 1963, chegou, à época, a afirmar o seguinte: “A nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos dos nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente à nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só”.
Aparentemente, esta recomendação foi, décadas depois, melhor apreendida por Barack Obama do que pelo reverendo Jesse Jackson, apesar deste último ser contemporâneo e discípulo de Martin Luther King. Jackson perdeu sempre as suas apostas presidenciais. Barack acertou logo à primeira.
Como as ciências sociais não se regem por determinismos rígidos, por vezes cabe a vez aos mais novos de poderem dar lições de conduta aos mais velhos. Em vez do revanchismo e permanente combatividade “obamemo-nos” mais, resolvendo os problemas de uma mesma sociedade como um todo, independentemente das diferenças culturais que caracterizam a mesma.
In, Jornal de Angola de 7 de Novembro de 2008
3 comentários:
Sinceramente,nunca olhei para o Obama como negro,mas sim como alguém que vem de fora das grandes familias politicas que dominam os EUA e pelo facto de não gostar da senhora Cliton e não é por ser mulher,ajudou a que gostasse que ganhasse o Obama.É incrivel como quase toda gente fale na cor da pele e não nas suas ideias.
Eu pessoalmente penso,que tudo vai ficar na mesma,os americanos precisam de guerras para reavivar a sua economia,no médio oriente nunca deixaram de estar do lado de Israel,nunca serão neutros,não me acredito que vá respeitar o protocolo de Quioto como diz,os homens da "pasta"não lhe vão deixar,para mim a grande novidade é o facto de ter sido um homem de "fora" a ganhar.
Volto sempre á mesma carga . " Nun ca olhei para o Obama como um negro " . Ora bolas . Ele até nem é negro , é mulato , MULATO . MULATO . Olho para o Obama como ele é e respeito o que ele é como pessoa se fôr caso disso . É o representante do Poder imperial estadunidense . Trinta anos depois , quando as hegemonias estão todas conseguidas , vêm uns ,outros e mais outros com a treta da história da arracialidade . Cada um é como é . Eu sou branco de cor , o Obama é mulato , a minha companheira é negra . Não venham com histórias de que não há cores . HÁ CORES SIM SENHOR E VIVA AS CORES DE QUE CADA UM PODE GOSTAR MAIS OU MENOS PELO SENTIMENTO E QUE TODOS DEVEM RESPEITAR A TODO O CUSTO POR PRINCIPIO .
ausentar das caracteristicas das pessoas não leva a lado nenhum : são uma trafulha e um embuste como em Angola se provou . É por isso que quando o Nacionalismo angolano tem a hegemonia hoje , com umas anedotas pelo meio , só os e as masoquistas ficam contentes..." pois"de todos os vestigios humanos do colonialismo serem todos de outras nacionalidades ou terem ido para o galheiro...se calhar por culpa ainda por cima das modas do Dino Matross ...
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