Domingo, Março 09, 2008

A trança

Quando era pequena, a minha mãe nunca me prendia o cabelo que se espalhava em desalinho, amarelado, um pouco por todo o rosto. Sempre o usei comprido.
Cresci rebelde como o meu cabelo.

“Faço-te uma trança”, pediu-me ele em tom determinado. Não, eu respondi.

Prender-me o cabelo seria amarrar-me como quando fazia ballet em que cabelo e corpo eram acorrentados a normas e a modelos que inibiam a minha natureza.

… mas às vezes sou tentada a fazer-lhe a vontade e invento-me a pensar se abrir uma excepção teria a cor da felicidade

9 comentários:

-pirata-vermelho- disse...

É bonito o escrito e luminoso o cabelo e é também bonita a pele abaixo dele.
Registe a minha concordância com a denúncia 'daquela' dança, acorrentada a normas e modelos inibidores de gestos largos e d'outros destemores
mas
não foi 'escola'?
não foi exercício de primor?
e
não foi condição da sua emancipação?

Não há educação sem condicionamento
nem
aprendizagem sem um ou outro tormento.

Anónimo disse...

Como gosto de te ver, lendo o que escreves.
Como gosto!
Mulemba

Paulo M. disse...

Olá,
Gostei muito do seu blog. Faço uma pesquisa sobre Angola para um documentario e gostaria de ter mais informações com pessoas que tiveram ou estão lá. Se puder dispor do seu e-mail para conversarmos melhor ficarei grato. O meu e-mail:pmafonseca@uol.com.br
Att
Paulo Murilo Fonseca

Anónimo disse...

Gosto da tua trança e da tua dança, prontos!!!!!!

Fifer

ged disse...

O prazer do conhecimento foi mutuo.
Quanto às estradas e...ao resto, permite que te diga, que muito do meu olhar, vem de dentro, do coração e do amor que tenho a essa pátria.
Bjs
GED

inominável disse...

Estou muito tentada a concordar com o Pirata... Para se chegar a um nível de virtuosidade (não é só para se ser boa, mas para se ser óptima), em que o dom e a arte, o saber, a consciência do que se faz, e como e para quê se conjugam - e a isso chamo arte - não chega ter jeito ou contentar-se com o que já se conseguiu... e isso implica esforço, teimosia, passos a trás e adiante, cabelo apanhado e tranças...

Um post belíssimo...

Phwo disse...

Obrigada pelos vossos comentários.
Posso apenas dizer que para falar dessas "amarras" tive de dançar, inclusivamente, "As Sílfides"; ou seja, dominar a técnica clássica. Sei do que falo, embora as reconheça (às técnicas, quaisquer que sejam) como imprescindíveis para uma profissionalização em dança.
Um beijo para cada um.

Niuska disse...

Quando te conheci, há mais ou menos 24 anos, apaixonei-me por essa trança. A paixão unica das miudas que ensinaste que era possivel fazer arte na bwala! Quando crescesse ia ter uma trança igual à tua mas a carapinha mesmo não deixou.
Gosto-te e comoves-me sempre, de uma forma que nunca te direi ao vivo porque sou muito achada.

beijo
ana tavares (a filha naturalmente)

Phwo disse...

Ana, minha querida
Que bom ver-te por aqui e "ouvir-te" sobre épocas passadas.
És achada e muito bem (digo eu, achando-me também). Sabes que há um grupo de alunos, onde tu estás, que continuam particularmente importantes para mim.
Um beijinho grande e acha-te sempre (mas não em 'desmaziadamente', como eu, 'no entretanto' aprendi)