As lágrimas têm textura de prazer. O piano emociona, agride, ao mesmo tempo que se transforma em esteira por onde caminho insegura. De olhos vendados, as sombras fazem e desfazem um rosto que não consigo organizar. Um sorriso solto paira, sem suporte. Movo-me por entre urgências, lamentos, pedidos, construções e implosões. Passo de árvore a vento, tocando palavras feitas de teatro onde as temperaturas se opõem e envolvem sem pudor.Entro numa estória onde a gata borralheira é um sofisticado conquistador que, sem o saber (?), me tem, voluntariamente, atraída para dentro de uma travessa com a mais requintada das iguarias.
Do prato à boca…, vai um beijo.
(Aos poucos, chegam os hóspedes para ouvir as minhas gargalhadas, antes de amanhecerem empilhados à porta do meu quarto.)
6 comentários:
Cara Phwo,
sou realizadora de documentários e estou, neste momento, a elaborar um projecto para um
filme documentário sobre o Hotel Girão, no Kuito, antiga Silva Porto. Nesse sentido,
estou à procura de pessoas que tenham conhecido o Hotel, que tenham memórias, antigas e
actuais. Igualmente estou à procura de material documental, fotografias, filmes,
postais... Se souber de alguém que possa enquadrar-se nestas características, peço que me
informe. Estou também à procura de pessoas que tenham passado recentemente pelo Kuito.
com os melhores cumprimentos,
agradecendo, desde já, a sua atenção,
Cristina Ferreira Gomes
Olá Cristina,
Há alguns sites (Sanzalangola, Mazungue) onde antigos residentes em todos os lugares de Angola, se encontram. Nesses sites eles partilham antigas memórias e episódios vários dos seus dias por aqui. Talvez seja o lugar ideal para procurar fotos, relatos, postais, etc. No arquivo da RTP também há algum material sobre a Angola colonial.
Um abraço
Sugestão para uma "espreitadela":
http://uk.youtube.com/watch?v=LnLVRQCjh8c
«She without arm, he without leg - Ballet - Hand and Hand»
Carlos
Carlos,
Muito obrigada pelo link. Já conheço essas imagens e estou à espera de oportunidade para as colocar aqui no blog.
É, de facto, fantástico como o corpo se potencia, tenha ele a forma que tiver. Já vai sendo tempo de olhar para a diferença com olhos diferentes.
Lindo este texto. Triste, intenso e com o teu habitual humor que neste caso acentua a carga dramática sem ser pesado. Alguém já te disse que escrevias muito bem? ;-)
Jinho
1 - O texto, exemplar, sobretudo o tempo e o espaço até ao beijo.
2 - A Crsitina Ferreira Gomes pode contacta-me, vivi no Bié, no Girão e tenho algumas estórias...
Bjo
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