Quinta-feira, Novembro 29, 2007

Episódio

As lágrimas têm textura de prazer. O piano emociona, agride, ao mesmo tempo que se transforma em esteira por onde caminho insegura. De olhos vendados, as sombras fazem e desfazem um rosto que não consigo organizar. Um sorriso solto paira, sem suporte. Movo-me por entre urgências, lamentos, pedidos, construções e implosões. Passo de árvore a vento, tocando palavras feitas de teatro onde as temperaturas se opõem e envolvem sem pudor.
Entro numa estória onde a gata borralheira é um sofisticado conquistador que, sem o saber (?), me tem, voluntariamente, atraída para dentro de uma travessa com a mais requintada das iguarias.
Do prato à boca…, vai um beijo.
(Aos poucos, chegam os hóspedes para ouvir as minhas gargalhadas, antes de amanhecerem empilhados à porta do meu quarto.)

6 comentários:

Anónimo disse...

Cara Phwo,


sou realizadora de documentários e estou, neste momento, a elaborar um projecto para um
filme documentário sobre o Hotel Girão, no Kuito, antiga Silva Porto. Nesse sentido,
estou à procura de pessoas que tenham conhecido o Hotel, que tenham memórias, antigas e
actuais. Igualmente estou à procura de material documental, fotografias, filmes,
postais... Se souber de alguém que possa enquadrar-se nestas características, peço que me
informe. Estou também à procura de pessoas que tenham passado recentemente pelo Kuito.


com os melhores cumprimentos,
agradecendo, desde já, a sua atenção,


Cristina Ferreira Gomes

Phwo disse...

Olá Cristina,
Há alguns sites (Sanzalangola, Mazungue) onde antigos residentes em todos os lugares de Angola, se encontram. Nesses sites eles partilham antigas memórias e episódios vários dos seus dias por aqui. Talvez seja o lugar ideal para procurar fotos, relatos, postais, etc. No arquivo da RTP também há algum material sobre a Angola colonial.
Um abraço

Anónimo disse...

Sugestão para uma "espreitadela":

http://uk.youtube.com/watch?v=LnLVRQCjh8c

«She without arm, he without leg - Ballet - Hand and Hand»

Carlos

Phwo disse...

Carlos,
Muito obrigada pelo link. Já conheço essas imagens e estou à espera de oportunidade para as colocar aqui no blog.
É, de facto, fantástico como o corpo se potencia, tenha ele a forma que tiver. Já vai sendo tempo de olhar para a diferença com olhos diferentes.

bruno disse...

Lindo este texto. Triste, intenso e com o teu habitual humor que neste caso acentua a carga dramática sem ser pesado. Alguém já te disse que escrevias muito bem? ;-)
Jinho

paterhu disse...

1 - O texto, exemplar, sobretudo o tempo e o espaço até ao beijo.

2 - A Crsitina Ferreira Gomes pode contacta-me, vivi no Bié, no Girão e tenho algumas estórias...

Bjo