Nem mais! Ando eu "práqui" a ferver com esta novela dos edifícios e da Ilha, e qual não é o meu espanto quando me deparo com um texto de um dos maiores da nossa literatura - Manuel Rui Monteiro - publicado no "Semanário Angolense" (p. 29) deste fim de semana, na sua coluna intitulada "Crónicas Desinvencionadas".
Dada a extensão do texto, não o posso publicar na íntegra, destacando apenas algumas passagens:
«"Onde é a casa de banho?" Fiquei espantado com os mármores, lavatórios, tudo. Como era possível ali e não era possível reformular "de forma sustentável" as cagadeiras do aeroporto Internacional 4 de Fevereiro?»
«(...) reparei que dali, pertinho da vaga e espuma embrulhando conchas, não enxergava uma réstia de mar. E falei. "Vocês sabem que na redefinição do ensino vão aparecer novos conceitos como por exemplo: uma ilha é uma superfície de terra envolvida em betão armado e istmo é um pedaço de canal artificial de mar que liga a península a uma montanha de betão e, cemitérios de lixos para a sua transformação em hamburgers e maquedês, montanha essa a que chamam continente.»
«(...) E eu com a sensação de que a ilha poderia afundar numa sapatada de vento. (...) Os hotéis de luxo. Mas isso não importa. O que importa é erguer monstruosidades que simbolizem riqueza que dá a impressão corresponder a desenvolvimento»
«O Mussulo que alguém já caracterizou como " a cidade mais absurda do mundo, com mais geradores do que alguns países do mundo e mais piscinas do que cidades do interior e com um consumo de combustíveis, proporcionalmente mais elevado que algumas pequenas cidades do mundo desenvolvido". E se a ideia das piscinas pega... vai daí... qualquer dia não há areia.»
«Por natureza o betão armado não fala. Mas é muito pior quando ele se torna imbecil para tapar o vento, as flores, a espuma do mar e com isto tudo tentar tapar os olhos das pessoas que não querem cegar por tanta coisa ver desinvencionada.»
3 comentários:
Gosto da comodidade e até do luxo sem ostentação. Tenho uma particular obsessão pelos mais desfavorecidos. Por eles, não peço nada para mim, por isso digo várias vezes: - Sou feliz! Participo e promovo a riqueza estou convencido que quanto mais riqueza houver maiores são as probabilidades de algo remanescente possa vir para ao povo. Ser-se rico não é crime! O crime é a pobreza de espírito, o produto da sociedade consumista e das faculdades nas mentalidades aí formadas.
PHWO
gosto de saber sobre Luanda.
bru
muito bem atirado... é preciso que mais vozes críticas se levantem...
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