Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Novo ano, nova (mw)ana?


Janeiro, 2

Hoje é mesmo um daqueles dias em que a desorganização (assim mesmo, sem parêntesis) se manifestou em toda a sua magnificência.
Fui à praia - o dia estava lindo com o céu azul e o mar verde coberto por milhares de latas, garrafas, plásticos, preservativos e outros enfeites flutuantes de Feliz Natal e Próspero Ano Novo! - e quinze minutos depois estava de regresso.
Só havia cadeiras sempre à sombra, mas eu também não queria apanhar sol o tempo todo. Oh!, dilema idiota, não? Pois é, mas de repente fui invadida por um mal-estar perturbador.
O que estava eu a fazer na praia em dia de semana? O que estava eu a fazer na praia com trabalho para preparar? O que estava eu a fazer ali na praia no meio de tanta gente? O que estava eu a fazer naquela praia onde se paga 4,5 usd por uma garrafa pequena de água mineral e mais 5 usd por uma cadeira?
Achei que... merda.
Em casa, organizei as ideias: ok, o que estou eu a fazer nesta Angola que não reconheço?
À procura de me reencontrar ou de encontrar um caminho só para mim?

'tá bem...

Espero melhorar dentro em breve e, definitivamente, deixar de organizar quaisquer ideias que sejam; já se percebeu que não resulta.

4 comentários:

CN disse...

A Ilha é realmente deprimente. Faz parte daquele circuito dos brancos e dos pretos endinheirados cuja existência tornam Angola um sítio detestável. Sentamo-nos numa cadeira a 5 USD ao dia e nem pensamos que aquela malta que anda por ali a tentar lavar-nos o carro, a tentar guardar o nosso carro, a tentar vender-nos qualquer coisa, não ganha sequer 1 USD por dia. Sei que a culpa não é nossa, mas isso não faz de Angola um sítio melhor. Antes pelo contrário. É que se a culpa fosse minha, havia uma solução para o problema. Assim, acho que não há.
Fica bem.

-pirata-vermelho- disse...

Saiba, (Mw)ana, que bem a ouvi.
Daqui...

inominável disse...

Olha que não é só em Angola que uma pessoa se sente assim... estive recentemente nos Emirados A. U. e conheço isso... mas o que acho mesmo odioso e detestável é venderem-nos a pobreza como se fosse exotismo... e olha que pobreza vende bem, como circuito turístico (nada) alternativo...

JotaCê Carranca disse...

Não gosto de te ler com esse pessimismo e falta de esperança