Que já ostentou as cinco quinas, a catana e a roda dentada e agora...?
Como disse, o nosso carnaval acompanha os tempos e as mudanças sociais. É dinâmico como o deveríam ser os demais sectores, mas nisso... pensa-se. (Logo.)
Mais um Blog onde se debitam patetices - umas desinteressantes, outras menos - em forma de pretensão...
Como convém a um Blog.
Foto de Rui Tavares ©
Nkisi Kongo



“Carnaval da vitória é o porco mais bonito do mundo.

"Scarification and other forms of body decoration were traditionally considered marks of civilisation. They distinguished the civilised, socialised human body from the body in its natural state and from animals." (Susan Vogel,1986)
Yá... era bwé estranho ver uma população inteira tão "disciplinada" durante um espectáculo em que o kuduro "rebentava" em palco, pelo ritmo dos diversos conjuntos, bandas e intérpretes. Estes, desde os mais vestidos às menos ataviadas, pretendiam levar o público "ao rubro" o que, às vezes - e depois de muito gritarem e incitarem o people -, lá calhava. Mas a "ordem" era prontamente reposta. No fim, tudo correu bem, sem "desmandos", nem "problemas de maior". O cordão de polícias de azul (com metralhadoras verdadeiras) cumprira, com êxito, a sua missão de manter a tal "ordem" pública.
Pedi a alguém que tirasse a fotografia para mim, pois o cano da arma podia não simpatizar comigo.
Yá, foi só isso; apenas por isso, claro...

Aproximei-me com o dinheiro dentro da minha mão que lhe estendi em gesto suave. O meu coração batia, mas batia muito.
... Ele agarrou a minha mão entre as suas, revestidas de duas meias pretas (nenhuma parte do corpo do mukixi pode ficar de fora).
O momento que se seguiu não sobrou para o poder reproduzir agora; Tão efémero e tão forte. Eu havia conseguido.
Recuei e ele seguiu-me, a minha mão ainda presa às suas. Depois, por breves momentos dançou só para mim.
Nunca lhe saberei o rosto, nem isso me deve preocupar. Para todos os efeitos dentro da máscara não há uma pessoa, pois ela representa o espírito de um antepassado.
E apesar da modernidade e de alguma desmistificação, como ainda é forte esse poder!
Pois é...
Era assim, todas as manhãs. A praia deitada aos pés da minha janela chamava-me, atraente nas suas cores, no seu cheiro e na sua textura de imaginar o meu corpo frio na água tépida. Depois, olhava para mim em jeito de sedução.
Sem pensar muito deixava-me ir. Seguia pelo corredor branco até ao salão de jantar, imponente nas recordações dos tempos em que se enchia de gente diferente. O sol entrando pelos vidros transparentes e tornando castanha clara a madeira que revestia as suas paredes.
A sala continua linda! Só eu e a brisa que brincava na porta entreaberta, dizendo-lhe dos segredos guardados por fantasmas antigos.
Era assim, todas as manhãs, enquanto eu, quase maquinalmente, comia.
