Não quero «trair» os meus amigos, nem apoiar os seus «opositores». Aliás, como sempre fiz questão de frisar, sou independente. Não gosto de me colar a grupos, rebanhos ou bandos (até porque agora os voos são potencialmente pandémicos).
O amor é cego, diz-se...
E é...
Angola continua a ter o mesmo pôr do sol com as cores mais belas do mundo, as mesmas praias imensas com água tépida, os mesmos rios com as quedas de água mais imponentes alguma vez vistas; tudo como revelam as saudades daqueles que há 30 anos retornaram a Portugal vindos das colónias em África.
Angola ganhou a sua independência e todos os que lutaram por ela gostamos de perceber o nosso país soberano. Mas, se os marinheiros são bons, o mesmo não se pode dizer dos timoneiros. E os grandes abutres à espreita, do lado de fora das nossas fronteiras, são mais que muitos.
Angola continua a ser o país dos sonhos de muitos: dos que nunca mais lá voltaram, dos que vivem à custa da corrupção e da extorsão... e de outros.
Mas em Angola existe uma camada que continua a acreditar em ideais de justiça. Entre esses estão os intelectuais. Mas os antigos, os meus mentores, que ainda andam a pé, que ainda escrevem, desenham e cantam melodias de revolta; que abandonam ou se abandonam ao país por não haver lugar para eles... Alguns ainda transportam a garrafa de gás pelas escadas acima até ao apartamento no 5º andar. Ainda há aqueles que, «no outro tempo» pertenciam à tal burguesia, mas optaram por ficar, por se entregar, por se esvaziar à procura da quimera e que, de repente, percebem que ninguém dá mais conta que eles existem. Desses, alguns «enfiam cervejas pela goela abaixo», mas para esquecer. Alguns estão doentes. Pobres amigos... Cirrose, dizem. Trombose também. E ainda assim, os nossos olhos brilham de esperança.
Mais um Blog onde se debitam patetices - umas desinteressantes, outras menos - em forma de pretensão...
Como convém a um Blog.
Quinta-feira, Outubro 27, 2005
A transparência pode ser imprudente, mas é isenta - II
Angola é grande; Angola tem recursos como poucos países, mas Angola é pobre; Angola soma conquistas, melhoras, é verdade (e temos orgulho), mas Angola espera por uma educação boa para todos os seus meninos e não apenas para os que frequentam e pagam os colégios com dólares. Angola tem clínicas, algumas com competentes sistemas e protocolos com transportadoras aéreas para a evacuação dos casos de gravidade extrema que o exijam, mas em Angola, muitos perdem familiares porque não podem comprar um balão de soro no mercado, porque no hospital para os comuns, não tem.
Em Angola há bons profissionais em todas as áreas, sim. E angolanos. Mas muitos optam pela actividade privada, onde os lucros são maiores. Em Angola uma lata de leite custa 1000 Kz (1kz=90usd) e as farmácias, para além de cartões recarga para telemóveis, vendem uma caixa de aspirinas ao preço que (não) podem imaginar. As pessoas têm de (sobre)viver. E o dólar é que manda. Em Angola há pessoas honestas e que vivem do seu salário. Muitas. Mas o salário mínimo é muito baixo.
Há que ter criatividade, saber entrar no «xkema» para se poder continuar. «Vamos fazer mais como então?», diz-se resignadamente com aquele sorriso que só engana os mais desatentos.
Eu vivo em Angola. Vivi sempre em Angola em todos os passados e todos os presentes. Sou filha da terra e conheço bem a realidade.
Já um dia disse que me custava ler e ouvir o escárnio com que algumas pessoas se referem ao país. Também me irritam as «bocas» atiradas de longe por pessoas sentadas seja em sofás, seja em bancos de pau. Alguns revelam tanto ódio que parece até que se regozijam com os nossos insucessos; Outros, tanta demagogia que até «aleija» (como dizem os miúdos).
Angola não é o inferno da tal anedota, mas está longe de ser o paraíso que aparece nos delírios de alguns. O ideal seria não se exagerar, nem apedrejando arbitrariamente, nem aplaudindo aquilo que ainda pode vir, mas que é tão remoto agora...
... Dizem que o amor é cego, e pode ser... Se deixarmos.
Em Angola há bons profissionais em todas as áreas, sim. E angolanos. Mas muitos optam pela actividade privada, onde os lucros são maiores. Em Angola uma lata de leite custa 1000 Kz (1kz=90usd) e as farmácias, para além de cartões recarga para telemóveis, vendem uma caixa de aspirinas ao preço que (não) podem imaginar. As pessoas têm de (sobre)viver. E o dólar é que manda. Em Angola há pessoas honestas e que vivem do seu salário. Muitas. Mas o salário mínimo é muito baixo.
Há que ter criatividade, saber entrar no «xkema» para se poder continuar. «Vamos fazer mais como então?», diz-se resignadamente com aquele sorriso que só engana os mais desatentos.
Eu vivo em Angola. Vivi sempre em Angola em todos os passados e todos os presentes. Sou filha da terra e conheço bem a realidade.
Já um dia disse que me custava ler e ouvir o escárnio com que algumas pessoas se referem ao país. Também me irritam as «bocas» atiradas de longe por pessoas sentadas seja em sofás, seja em bancos de pau. Alguns revelam tanto ódio que parece até que se regozijam com os nossos insucessos; Outros, tanta demagogia que até «aleija» (como dizem os miúdos).
Angola não é o inferno da tal anedota, mas está longe de ser o paraíso que aparece nos delírios de alguns. O ideal seria não se exagerar, nem apedrejando arbitrariamente, nem aplaudindo aquilo que ainda pode vir, mas que é tão remoto agora...
... Dizem que o amor é cego, e pode ser... Se deixarmos.
Terça-feira, Outubro 25, 2005
Segunda-feira, Outubro 24, 2005
"... esta ideia absurda de que gostava..."
...ainda a pensar na antropofagia, respirei o mesmo ar que JPN.
Foi assim que me lembrei do comentário do Nelsinho: "Então...que seja antropofágico, enquanto metafórico!"
Foi assim que me lembrei do comentário do Nelsinho: "Então...que seja antropofágico, enquanto metafórico!"
Domingo, Outubro 23, 2005
Sexta-feira, Outubro 21, 2005
Explicitar: v. tr., tornar explícito.
Há tempos li um comentário a propósito da exposição a que algumas pessoas, voluntariamente, se sujeitam através dos seus blogs.
De facto, incomoda-me notar de que formas esse quase exibicionismo «passeia por aí», o que lhes é mais íntimo; certas estórias do corpo.
Embora a partilha seja considerada até um «acto cristão», temos que convir que certas partilhas são demasiado ruidosas para quem prefere o mistério da insinuação. Apenas.
Com maior ou menor grau de protecção (mal) garantida, lá se vão publicando, na primeira pessoa, os pormenores dos (des)amores, das virtudes físicas, das sensações e excitações de quem se arroja por detrás de nicks mais ou menos frágeis.
No entanto, percebo bem que o voyerismo espicaçado pelas educações repressivas e cheias de tabus, próprias de sociedades conservadoras, alimente a inspiração dos bloggers que tão bem sabem do sucesso que atingem.
Enfim, quem não gosta, não lê, não é assim?
Pois... Eu não gosto.
Parece-me que, a visibilidade em demasia não deixa lugar para a fruição dos enigmas desvelados pela nossa imaginação. Só nossa. De cada um.
Será hipocrisia?
De facto, incomoda-me notar de que formas esse quase exibicionismo «passeia por aí», o que lhes é mais íntimo; certas estórias do corpo.
Embora a partilha seja considerada até um «acto cristão», temos que convir que certas partilhas são demasiado ruidosas para quem prefere o mistério da insinuação. Apenas.
Com maior ou menor grau de protecção (mal) garantida, lá se vão publicando, na primeira pessoa, os pormenores dos (des)amores, das virtudes físicas, das sensações e excitações de quem se arroja por detrás de nicks mais ou menos frágeis.
No entanto, percebo bem que o voyerismo espicaçado pelas educações repressivas e cheias de tabus, próprias de sociedades conservadoras, alimente a inspiração dos bloggers que tão bem sabem do sucesso que atingem.
Enfim, quem não gosta, não lê, não é assim?
Pois... Eu não gosto.
Parece-me que, a visibilidade em demasia não deixa lugar para a fruição dos enigmas desvelados pela nossa imaginação. Só nossa. De cada um.
Será hipocrisia?
Suicídio
Foto de Rui Tavares ©Querem um desenho? Para quê, se a mensagem é tão clara? Sim, porque quem vê “córes”... não vê que está na hora de começar. Começar?
O quê? Não vêm que estou a ler o jornal? Esperem!... Já aí vem o apresentador explicar que nesta nossa “casa comum” cada um sabe de si e tudo acaba por ser um serviço (ou emprego?). Vejam lá, que já um gajo não pode abusar ( e também usar) do telemóvel que já estão “pru cima dele”, a criticar. Inveja; é o que sentem! É evidente.
Trabalhem como eu trabalhei, que já podem comprar um e muito mais: roupas de marca, jipes zero quilómetros, sapatilhas caras para todos repararem quando eu aparecer “calçadão” naquela Marginal, às escuras. A única coisa que me chateia é a merda das sirenes da polícia que têm a mania de surpreender as pessoas à toa. Mas já estamos conformados; temos de viver assustados.
Vejam como e porquê um cidadão comum se suicida e como tudo acontece em grande estilo, bem à nossa moda.
Qualquer esclarecimento extra, poderá ser atendido se ligar para o terminal 0950 qualquer coisa; repetimos, 0950 qualquer coisa.
De resto, não se esqueça: “É para si que estamos a bumbar!” (quer goste, quer não!)
[Extracto do texto do espectáculo «Agora não dá! 'Tou a bumbar...» (1998) da CDC de Angola]
Quarta-feira, Outubro 19, 2005
Vou andando sem sair do lugar
Terça-feira, Outubro 18, 2005
To be or not... a dancer

Eu tinha as pernas longas. Muito longas e as costas «tortas». À mesa, os meus pais corrigiam-me constantemente a postura que tinha ganho por ser mais alta que as outras miúdas da minha idade. Estica as pernas, endireita as costas, põe os ombros para trás e, um dia... gostavas de ir para o ballet? Sim, disse entusiasmada ao perceber que as minhas amigas também já tinham sido convencidas pelas mães.
Definitivamente, não. Eu nunca quis ser bailarina quando fosse grande. E já não sou... ou sou?
Segunda-feira, Outubro 17, 2005
Hoje lembrei-me da minha amiga Paula Tavares...

Cerimónia de Passagem
a zebra feriu-se na pedra
a pedra produziu lume
a rapariga provou o sangue
o sangue deu fruto
a mulher semeou o campo
o campo amadureceu o vinho
o homem bebeu o vinho
o vinho cresceu o canto
o velho começou o círculo
o círculo fechou o princípio
a zebra feriu-se na pedra
a pedra produziu lume
Quinta-feira, Outubro 13, 2005
Terça-feira, Outubro 11, 2005
Sábado, Outubro 08, 2005
Quarta-feira, Outubro 05, 2005
Klix - Rapidix - Estupidix
... é claro que estou (chateada!!!)
Depois de ter ouvido mais de 10 minutos de música.
- Boa-tarde-fala-o-Pedro-em-que-posso-ajudá-la?
- Boa tarde. Eu aderi ao vosso serviço ADSL o qual deveria ter sido activado hoje. Como não me parece que a internet esteja mais rápida gostaria de saber se devo configurar o meu computador, já que o modem que possuía pode ser utilizado para este serviço.
O rapaz até era gentil, pediu-me o número de contribuinte, deixou-me mais uns minutos à seca, voltou, agradeceu-me por ter esperado, confirmou que o meu processo estava em ordem e disse-me que este assunto não era com ele. Aconselhou-me a que ligasse novamente para o mesmo número e escolhesse a opção 4.
Só depois de desligar me lembrei que essa tinha sido a tecla que premira. (Dahhh, pensei. Mas ainda a procissão ia no adro.)
As horas passavam e eu já havia esgotado toda a paciência e todas as opções. Pior; Sentia-me uma bola de ténis entre os empregados, a eterna música e a frase: Por-favor-aguarde-atenderemos-a-sua-chamada-tão-breve-possível-obrigada.
1. 30 H da manhã. Depois de um intervalo a saga continua. Uma vez mais, depois de vencida a batalha de ter suportado a tal keta durante sabe-se lá quanto tempo, o empregado [Boa-noite-fala-o-Pedro V (ou VI ou VII...)-em-que-posso-ajudá-la?] que me atende manda-me de novo ligar ... para?... A opção 4! E ainda tem o desplante de responder ao meu desagrado com a lamúria habitual: sabe-é-que temos-muitas-chamadas-em lista-de-espera. Armada em cidadã europeia (tipo: e eu com isso?), reclamei os meus direitos de cliente pagante. E ele... calado. Contido. Certamente com vontade de me mandar à merda.
Tenho o telefone pendurado no ombro a debitar uma sinfonia estridente alternada com a tal voz do tão breve quanto possível.
É assim... afinal na tuga também dão bailes ao cidadão. E este fica só à espera. Fazer mais como então?
... e a tal net, nas calmas...
Depois de ter ouvido mais de 10 minutos de música.
- Boa-tarde-fala-o-Pedro-em-que-posso-ajudá-la?
- Boa tarde. Eu aderi ao vosso serviço ADSL o qual deveria ter sido activado hoje. Como não me parece que a internet esteja mais rápida gostaria de saber se devo configurar o meu computador, já que o modem que possuía pode ser utilizado para este serviço.
O rapaz até era gentil, pediu-me o número de contribuinte, deixou-me mais uns minutos à seca, voltou, agradeceu-me por ter esperado, confirmou que o meu processo estava em ordem e disse-me que este assunto não era com ele. Aconselhou-me a que ligasse novamente para o mesmo número e escolhesse a opção 4.
Só depois de desligar me lembrei que essa tinha sido a tecla que premira. (Dahhh, pensei. Mas ainda a procissão ia no adro.)
As horas passavam e eu já havia esgotado toda a paciência e todas as opções. Pior; Sentia-me uma bola de ténis entre os empregados, a eterna música e a frase: Por-favor-aguarde-atenderemos-a-sua-chamada-tão-breve-possível-obrigada.
1. 30 H da manhã. Depois de um intervalo a saga continua. Uma vez mais, depois de vencida a batalha de ter suportado a tal keta durante sabe-se lá quanto tempo, o empregado [Boa-noite-fala-o-Pedro V (ou VI ou VII...)-em-que-posso-ajudá-la?] que me atende manda-me de novo ligar ... para?... A opção 4! E ainda tem o desplante de responder ao meu desagrado com a lamúria habitual: sabe-é-que temos-muitas-chamadas-em lista-de-espera. Armada em cidadã europeia (tipo: e eu com isso?), reclamei os meus direitos de cliente pagante. E ele... calado. Contido. Certamente com vontade de me mandar à merda.
Tenho o telefone pendurado no ombro a debitar uma sinfonia estridente alternada com a tal voz do tão breve quanto possível.
É assim... afinal na tuga também dão bailes ao cidadão. E este fica só à espera. Fazer mais como então?
... e a tal net, nas calmas...
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