Pego no corpo e parto
rumo a sul e ao sol
num passo de magia
viajo
Palco
Avião
Sonhos
Dança
Calor de gente
dança clássica
passos novos
gingando
Sol
Areia
Mar
Dança
Pés descalços
sons surdos
curvas de corpo
sublimes
(Post by Carlos C. - 19.03.2005)
Mais um Blog onde se debitam patetices - umas desinteressantes, outras menos - em forma de pretensão...
Como convém a um Blog.
Quinta-feira, Março 31, 2005
Quarta-feira, Março 30, 2005
A janela de olhar para trás

Sentada na sala do piano, a janela aberta para as folhas de uma palmeira adulta, relembro o cenário que durante muito tempo se repetiu vezes sem conta só para mim: o pôr do sol na Xicala.
Estou longe...
Naquele tempo, as seis horas da tarde conduziam-me à cidade alta de onde se pode ver o mar. Sentada no muro escondido sob o vermelho das pétalas daquela acácia que ainda resiste rubra, possuía com os olhos o vento morno enquanto enchia, da luz inigualável do sol que bazava lentamente, os pulmões. Sem qualquer sentimento de culpa, entregava-me aos mais interditos pensamentos: Luanda, seria a eterna cidade encostada no mar; Angola, um país onde a diferença fosse aceite; África, o continente que transcenderia a curiosidade e a cobiça dos “irmãos” povos ocidentais.
Ali, eu fui livre. Ali, fiz e desfiz promessas e juras de irresponsável desejo. Ali, as minhas lágrimas se misturaram com o pó...
Bué de vezes, ali mesmo... Apaixonadamente.
A noite caía, caiu rápido. Sob a acácia onde tantas vezes me despi deixei, para sempre, os mais secretos fragmentos de mim.
Segunda-feira, Março 28, 2005
Em casa
Cheguei e na noite não vi os buracos nas ruas, os mutilados nos passeios, os prédios degradados, o lixo a emoldurar a cidade.
Não vi as novas lojas de modas, de telemóveis e de mobiliário de luxo.
Não percebi os engarrafamentos, os muros em torno das novas vivendas copiadas dos destinos predilectos para as saídas em “missão de serviço” – Europa e “States”.
Mas pensei que tudo isso poderia ficar a descoberto na manhã seguinte quando eu transpusesse o umbral do portão de nossa casa, que a minha mãe insiste em manter um verdadeiro oásis.
Ainda bem.
As mesmas plantas (mais algumas árvores), os mesmos móveis (os sofás são novos), a mesma calma (só algum silêncio mais), as mesmas escadas de madeira encerada (as paredes agora são brancas), os mesmos candeeiros (o da salinha do piano foi mudado), tudo a fazer lembrar aquela infância que apenas iria permitir o aumento dos livros nas estantes do escritório e a substituição periódica dos quadros nas paredes.
Só falta o papá...
Não vi as novas lojas de modas, de telemóveis e de mobiliário de luxo.
Não percebi os engarrafamentos, os muros em torno das novas vivendas copiadas dos destinos predilectos para as saídas em “missão de serviço” – Europa e “States”.
Mas pensei que tudo isso poderia ficar a descoberto na manhã seguinte quando eu transpusesse o umbral do portão de nossa casa, que a minha mãe insiste em manter um verdadeiro oásis.
Ainda bem.
As mesmas plantas (mais algumas árvores), os mesmos móveis (os sofás são novos), a mesma calma (só algum silêncio mais), as mesmas escadas de madeira encerada (as paredes agora são brancas), os mesmos candeeiros (o da salinha do piano foi mudado), tudo a fazer lembrar aquela infância que apenas iria permitir o aumento dos livros nas estantes do escritório e a substituição periódica dos quadros nas paredes.
Só falta o papá...
Quinta-feira, Março 24, 2005
Passeio alternativo
Sábado, Março 19, 2005
Mukixi wa Cihongo
Representando um antepassado de origem nobre, a máscara Cihongo [tchihongo] simboliza o espírito masculino da riqueza e da autoridade.Inicialmente herdada e dançada apenas pelo Soba (autoridade tradicional) ou o seu sobrinho (filho da irmã), viaja pelas povoações exibindo-se enquanto profissional de dança, mas com a função de trazer prosperidade à aldeia.
Embora a máscara facial de madeira, possua traços formais similares às do Mukixi wa Mwana Pwo - que representa a mulher, o feminino -, o Mukixi wa Cihongo é o seu oposto.
Sob o queixo, a representação da barba apenas usada pelos anciãos entre o povo Cokwe; na cabeça uma «interpretação» do toucado, símbolo de poder, unicamente utilizado pelos chefes Cokwe.
Mukixi wa Cihongo, dançando no centro da aldeia, põe a máscara em movimento; inclina a sua Cikapa [tchikapa] de forma única, com técnicas arduamente aprendidas durante muitas luas na Mukanda, a escola dos «segredos» masculinos.
Cihongo; Seduz-me e repudia-me. É bela, mas aterradora. Atrai-me e assusta-me.
Sou mulher; sei que não a posso tocar, que não a devo olhar nos olhos. É-me interdita.
Com os Tucokwe ela atravessa o tempo, dançando sempre.
Cihongo... a eterna e imponente máscara da nobreza africana.
Quarta-feira, Março 16, 2005
Anónimo 6
Terça-feira, Março 15, 2005
Luanda... p'ra esquecer?

Fiquei triste...
Luanda pode deixar de ser a capital de Angola.
Mas, mais triste (ou «enervada»?) fiquei, ao ler que a ideia partiu de um arrivista qualquer de avental que, caído em desgraça na tuga, se lembrou que tinha nascido em Angola, de onde basou logo após a dipanda.
E lá veio ele (e mais alguns), todo «arteiro» (gosto desta palavra) desenterrar e reciclar um antigo projecto para uma nova capital, no interior de Angola.
A minha questão não é se se deve ou não criar uma nova capital para Angola; Talvez haja vantagens nisso.
É tão somente perceber se o projecto é possível ao mesmo tempo que se solucionam os enormes e múltiplos problemas de que o país enferma.
Se assim não for, não acho prioritário passando a ser, em minha opinião, mais uma estravagância, capricho ou «negociata» (esta palavra também é bué!) idealizada por mais um oportunista que, em conluio com aqueles que lhe fazem subir o «projectozinho» a boas mãos, se está a sair lindamente no que diz respeito a «engraxar» (e esta?) o grande Chefe.
Abaixo todos os «trufas» reais e os projectos surreais.
Ah!... E abaixo uma capital chamada Angolia (de Brasilia?). Triste.
Sábado, Março 12, 2005
BI e Racismo
Em Angola os bilhetes de identidade contêm um item reservado à «Raça». Se partirmos do princípio que o conceito de raça está cada vez mais fora de circulação nas Academias e não só, pode inferir-se que aquilo que se solicita no BI é a cor da pele, numa camuflagem muito pouco convincente de racismo. Assim, o cidadão tem apenas três opções: branca, negra e... mista. (As respectivas paletes de matizes não estão previstas.)
Ora, para além dos indivíduos brancos, mestiços e negros (de origens Bantu e Vátwa), existe em Angola um grupo etno-linguístico (etnia, povo), os Khoi San (Bochimanes, Mukakalas) ou !Nkung, que não se enquadram em nenhum dos grupos oficialmente «identificáveis» nos Arquivos.
Realmente eles não são nem Bantu, nem negros e não são mestiços. Portanto, a pergunta de como os discriminar no BI é pertinente.
Na verdade, o que se regista é (e porque não se assume isso, então?) a cor da pele, um sinal exterior como a cor dos olhos ou cabelo, o que não me parece coerente.
Havendo apenas duas cores à escolha e uma mista, como «catalogar» ainda um asiático com nacionalidade angolana? Negro? Branco? Amarelo não há!
A propósito; quando estou na «tuga», principalmente no verão, dou comigo a pensar: se estes indivíduos fossem tirar um BI segundo as regras de Angola, seria possível incluí-los a todos no «contingente» dos «brancos»? (e estou a restringir-me às populações que habitam o chamado «Portugal profundo»)
Ora, para além dos indivíduos brancos, mestiços e negros (de origens Bantu e Vátwa), existe em Angola um grupo etno-linguístico (etnia, povo), os Khoi San (Bochimanes, Mukakalas) ou !Nkung, que não se enquadram em nenhum dos grupos oficialmente «identificáveis» nos Arquivos.
Realmente eles não são nem Bantu, nem negros e não são mestiços. Portanto, a pergunta de como os discriminar no BI é pertinente.
Na verdade, o que se regista é (e porque não se assume isso, então?) a cor da pele, um sinal exterior como a cor dos olhos ou cabelo, o que não me parece coerente.
Havendo apenas duas cores à escolha e uma mista, como «catalogar» ainda um asiático com nacionalidade angolana? Negro? Branco? Amarelo não há!
A propósito; quando estou na «tuga», principalmente no verão, dou comigo a pensar: se estes indivíduos fossem tirar um BI segundo as regras de Angola, seria possível incluí-los a todos no «contingente» dos «brancos»? (e estou a restringir-me às populações que habitam o chamado «Portugal profundo»)
Quinta-feira, Março 10, 2005
Brutalmente, água!...
Terça-feira, Março 08, 2005
Ele: E tu, quem és? / Eu: Sei lá...
«A tragédia de Édipo ilustra a impossibilidade do homem lutar contra o destino, valor situado na base da mentalidade grega, formada sob a égide da mitologia até ao advento da filosofia.»
Não teremos todos um pouco de Édipo se virmos em Jocasta a representação da vida? Não nos apaixonamos todos por ela, descobrindo-a tantas vezes como relação amarga?
E não nos envolvemos todos nessa mesma vida de que desconhecemos parte, construindo cegamente tantos momentos e vivências sublimes, livres de culpas e de medos?
Eu sei quem sou quando me vejo ao espelho, aliás, reconheço como minha a imagem física que ele me devolve, pois não há espelho algum capaz de nos reenviar a nossa essência para a podermos apreciar.
Assim, parece-me impossível sabermos, com certezas, quem somos exactamente. Temos informações mais ou menos dispersas sobre nós e conhecemos alguns detalhes de como reagimos e nos comportamos.
Somos um corpo múltiplo, ou seja, vários corpos, com fragmentos conhecidos e outros... Nem tanto....
Porém, gosto na mesma, assim, meio estrangeira em mim própria e para os outros.
Tenho, para mim, que o exercício da auto descoberta tem o tempo da nossa própria existência, ou seja, é uma espécie de... "work in progress". ;-)
Não teremos todos um pouco de Édipo se virmos em Jocasta a representação da vida? Não nos apaixonamos todos por ela, descobrindo-a tantas vezes como relação amarga?
E não nos envolvemos todos nessa mesma vida de que desconhecemos parte, construindo cegamente tantos momentos e vivências sublimes, livres de culpas e de medos?
Eu sei quem sou quando me vejo ao espelho, aliás, reconheço como minha a imagem física que ele me devolve, pois não há espelho algum capaz de nos reenviar a nossa essência para a podermos apreciar.
Assim, parece-me impossível sabermos, com certezas, quem somos exactamente. Temos informações mais ou menos dispersas sobre nós e conhecemos alguns detalhes de como reagimos e nos comportamos.
Somos um corpo múltiplo, ou seja, vários corpos, com fragmentos conhecidos e outros... Nem tanto....
Porém, gosto na mesma, assim, meio estrangeira em mim própria e para os outros.
Tenho, para mim, que o exercício da auto descoberta tem o tempo da nossa própria existência, ou seja, é uma espécie de... "work in progress". ;-)
Domingo, Março 06, 2005
RE: Nem tudo está perdido
(E ela... de novo)
«Nem tudo está perdido.
(...) ando a aprender sobre as diferenças entre: sensibilidade e vulnerabilidade; precaução e deslealdade; comodidade e timidez.»
Contigo, ando a aprender que a esperança afinal é azul, que as loiras também são importantes e que o inverno não é sempre gelado.
Enfim... que é a «sede» que nos faz mover; que faz o nosso coração bater; que faz os barcos flutuar e que nos tira a cabeça do lugar.
E quando isso acontece... o corpo fica diferente. (Pudera!)
«Nem tudo está perdido.
(...) ando a aprender sobre as diferenças entre: sensibilidade e vulnerabilidade; precaução e deslealdade; comodidade e timidez.»
Contigo, ando a aprender que a esperança afinal é azul, que as loiras também são importantes e que o inverno não é sempre gelado.
Enfim... que é a «sede» que nos faz mover; que faz o nosso coração bater; que faz os barcos flutuar e que nos tira a cabeça do lugar.
E quando isso acontece... o corpo fica diferente. (Pudera!)
Às vezes francamente; outras... sinceramente!
Há tempos tropecei com alguém que, após muitos anos, regressa a uma ex-colónia portuguesa e eis quando senão, para meu enorme espanto, ela começa a «abrilhantar-nos» com descrições contidas num discurso que eu nunca imaginei ser possível numa altura destas; que o povo era limpinho e inteligente, que se comia opiperamente (marisco e etc.) por 1 dólar, que os matakus das pretas eram belíssimos na sua forma de «prateleira», que os mercados eram todos varridos e com os panos no chão engomadíssimos, que os penteados das miúdas eram lindíssimos, que não havia lixo nas ruas, que um certo motorista indígena falava quase correctamente português, enfim...
Lembrei-me então de comentar. Não fui simpática, mas franca (mente!).
Quem não leu os estudos e descrições etnográficos de José Redinha (perante ele me vergo em reverência), de M. Dias Belchior (autor de «Compreendamos os negros»), de J. R. Graça, Henrique Galvão (autor de «Outras Terras Outras Gentes) ou ainda, recuando um pouco mais de Capello & Ivans, Henrique de Carvalho ou Silva Porto, entre tantos outros?
Sem esquecer, Santos Júnior (autor de «A Alma do Indígena através da Etnografia de Moçambique»).
Autores de relatos preciosos e de grande importância, e referências imprescindíveis para diversos estudos sobre o continente Africano são, no entanto, criticados pela antropologia contemporânea dadas as características da linguagem etnocentrista, «reaccionária» (reparem nas aspas) e redutora que utilizam. Compreensível para a época, inconcebível hoje - SÉCULO XXI -, mesmo fora do âmbito Académico.
Compreendo a emoção de alguém que regressa à nossa «África (ex) Minha», passados tantos anos de saudades e desejo de voltar. Compreendo a felicidade de se encontrar um cenário diferente (para melhor?) daquele que se espera.
Mas cair no romantismo das descrições dos séculos passados, mesmo fora do âmbito das Academias... Sinceramente.
Lembrei-me então de comentar. Não fui simpática, mas franca (mente!).
Quem não leu os estudos e descrições etnográficos de José Redinha (perante ele me vergo em reverência), de M. Dias Belchior (autor de «Compreendamos os negros»), de J. R. Graça, Henrique Galvão (autor de «Outras Terras Outras Gentes) ou ainda, recuando um pouco mais de Capello & Ivans, Henrique de Carvalho ou Silva Porto, entre tantos outros?
Sem esquecer, Santos Júnior (autor de «A Alma do Indígena através da Etnografia de Moçambique»).
Autores de relatos preciosos e de grande importância, e referências imprescindíveis para diversos estudos sobre o continente Africano são, no entanto, criticados pela antropologia contemporânea dadas as características da linguagem etnocentrista, «reaccionária» (reparem nas aspas) e redutora que utilizam. Compreensível para a época, inconcebível hoje - SÉCULO XXI -, mesmo fora do âmbito Académico.
Compreendo a emoção de alguém que regressa à nossa «África (ex) Minha», passados tantos anos de saudades e desejo de voltar. Compreendo a felicidade de se encontrar um cenário diferente (para melhor?) daquele que se espera.
Mas cair no romantismo das descrições dos séculos passados, mesmo fora do âmbito das Academias... Sinceramente.
Sábado, Março 05, 2005
Penteado
Vampiragens Vadias (Ou a troca de «fios» temáticos)
Não chores vampiro Zekarinha, pois ainda não viste nada...
Imagina quando "Salazar e o Estado Novo" entrarem no "Tal Barco do Aborto" e perceberem que afinal mais valia terem feito "Discursos sobre o corpo" ? Ou talvez... conjecturar sobre "Natos para morrer"? ... Imagina-o a pensar: "Manter ou não eis a questão"... (estou a referir-me àqueles soldadinhos todos no "ultramar", claro!) Pensa só (ou comigo, se preferires), quando "The Tea House" se transformar no "Canto dos Ódios" só porque "Aos Gatos e Gatas" convinha mais um... "Sabor a Colónia"? (E não um mbumbu boçal desmaneirado e katingozu que agora até virou mulher)
Pois, pois... "Era tempo de morrer em África...” Era.
O. K., "Há quem julgue que os outros são parvos" mas, infelizmente, as "Histórias de Encantar" nada têm a ver com o modo "Como a descolonização devia ser feita".
"E agora? Como fazemos?"
'Mbora todos apanhar uma pelenguenha no "Café na Esplanada" e cogitar sobre o pedido: "Reabram o Desassossego", hã?
Imagina quando "Salazar e o Estado Novo" entrarem no "Tal Barco do Aborto" e perceberem que afinal mais valia terem feito "Discursos sobre o corpo" ? Ou talvez... conjecturar sobre "Natos para morrer"? ... Imagina-o a pensar: "Manter ou não eis a questão"... (estou a referir-me àqueles soldadinhos todos no "ultramar", claro!) Pensa só (ou comigo, se preferires), quando "The Tea House" se transformar no "Canto dos Ódios" só porque "Aos Gatos e Gatas" convinha mais um... "Sabor a Colónia"? (E não um mbumbu boçal desmaneirado e katingozu que agora até virou mulher)
Pois, pois... "Era tempo de morrer em África...” Era.
O. K., "Há quem julgue que os outros são parvos" mas, infelizmente, as "Histórias de Encantar" nada têm a ver com o modo "Como a descolonização devia ser feita".
"E agora? Como fazemos?"
'Mbora todos apanhar uma pelenguenha no "Café na Esplanada" e cogitar sobre o pedido: "Reabram o Desassossego", hã?
Sexta-feira, Março 04, 2005
Anónimo 5
Nem tudo está perdido
Contigo, ando a aprender sobre as diferenças entre: sensibilidade e vulnerabilidade; precaução e deslealdade; comodidade e timidez.
Quinta-feira, Março 03, 2005
Mukixi wa Mwana Pwo
Bué cedo subi aos palcos. Mas em todo o meu percurso de bailarina nunca aprendi a representar a falsidade. Na sociedade tradicional cokwe, a comunidade junta-se no centro da aldeia para ver a máscara Mwana Pwo dançar. Ela também não esconde o que não é, e representa o ancestral feminino. Ao lado dela, as mulheres aprendem as boas maneiras, os princípios éticos, a solenidade com que se devem impor na colectividade.Todos os papeis que assumi e assumo enquanto intérprete, são baseados nas minhas vivências, restando-lhes sempre o real. Nunca danço a fazer de conta e também não finjo quando estou no palco... Nem quando estou fora dele.
Entre os Tucokwe, as máscaras não são um disfarce, mas sim uma instituição que contribui para a perpetuação das diligências sociais e culturais, para a transmissão do conhecimento colectivo e para a negociação das grandes preocupações e aspirações humanas.
Através daquela se celebra a esposa, a irmã, a mãe. Através dela se declara a autoridade e o papel moderador da mulher na sociedade cokwe.
Com ela aprendi a dançar a verdade. Com ela aprendi a dignidade de ser mulher.
Foi o Mukixi wa Mwana Pwo que me mostrou, na honestidade, na autenticidade dos seus sábios gestos de dança, como partilhar com o público, desprezando a inveja dos que morrem.
Moral da estória: A imoralidade completa(-se)
... E do alto da sua torre, o vampiro mor brincava às kroni ketas e en kantava.
A música era ensurdecedoramente hilariante.
Estúpidos e estúpidas, inteligentes e mais lentos, feias e bonitos, novos e nem tanto, Édipos e Jocastas, malhões e malhoas e até azuis e cor de rosa, rendiam-se em manifestações diversas à prosa in cómoda guardada nesta peça de mobiliário e noutras, escondidas nos mais inter(fe)ri(d)ores lugares do edifício onde um padre mutante arrankava as mais explícitas confissões (ou con fissuras?).
«Penitenciem-se malvados! Para castigo vomitem em público as vossas falidas manifestações de nudez de humor. Enfiem baleizões (ou labeizões) na testa (Dahhhhhh) e deixem-nos escorrer lambidamente (languidamente também dá!) pelas vossas ímpias mente rosas.
Isso! Façam o que eu quero e ponham o pescoço a jeito, pois nada me impedirá de provar (como se degusta o vinho, cuspindo a seguir) o vosso sangue.»
Depois, o chapéuzinho, comeu o lobo mau e comeu a avó!...
(Sukuama! Porque teria, também esta estória de acabar mal?)
A música era ensurdecedoramente hilariante.
Estúpidos e estúpidas, inteligentes e mais lentos, feias e bonitos, novos e nem tanto, Édipos e Jocastas, malhões e malhoas e até azuis e cor de rosa, rendiam-se em manifestações diversas à prosa in cómoda guardada nesta peça de mobiliário e noutras, escondidas nos mais inter(fe)ri(d)ores lugares do edifício onde um padre mutante arrankava as mais explícitas confissões (ou con fissuras?).
«Penitenciem-se malvados! Para castigo vomitem em público as vossas falidas manifestações de nudez de humor. Enfiem baleizões (ou labeizões) na testa (Dahhhhhh) e deixem-nos escorrer lambidamente (languidamente também dá!) pelas vossas ímpias mente rosas.
Isso! Façam o que eu quero e ponham o pescoço a jeito, pois nada me impedirá de provar (como se degusta o vinho, cuspindo a seguir) o vosso sangue.»
Depois, o chapéuzinho, comeu o lobo mau e comeu a avó!...
(Sukuama! Porque teria, também esta estória de acabar mal?)
Origens 1
Na Tuga também já dizem kota, aliás, cota, mas não me parece que tenham a noção da origem deste termo (como de outros importados maioritariamente de Angola).
Velho, adj.º e s. m. KIMBUNDU: Velu, iakuka, dikota (pl. makota), muadi, muadiakimi (muadi a kimi), okulu, kikulu, mukulu, kikulakaji, sekulu, kisumbe.
In «Dicionário Complementar – Português-kimbundu-Kikongo (Línguas Nativas do Dentro e Norte de Angola)», compilado por Pe. António da Silva Maia, Missionário secular da Arquidiocese de Luanda-Angola, 1961, p.642
Velho, adj.º e s. m. KIMBUNDU: Velu, iakuka, dikota (pl. makota), muadi, muadiakimi (muadi a kimi), okulu, kikulu, mukulu, kikulakaji, sekulu, kisumbe.
In «Dicionário Complementar – Português-kimbundu-Kikongo (Línguas Nativas do Dentro e Norte de Angola)», compilado por Pe. António da Silva Maia, Missionário secular da Arquidiocese de Luanda-Angola, 1961, p.642
RE: Origens 1
Posso, na qualidade de alguém que vive e sempre viveu em Angola? Mais!... Que lida diariamente e em família com alguém muito ligada às questões linguísticas de Angola (quem será? Mamy?).
Tuga, não é assim tão depreciativo e tem dois valores (subs. e adj.). Passo a exemplificar:
«Está na Tuga» - Está em Portugal (Melóia; Mukweba; Mutrulha; etc)
«Ele é tuga» - Ele é português (por-tuga).
Pior do que tuga é: braga, pula, ngweta ou até kilombo kiassa (albino)... que, ainda assim, perto de «filho de colono!» é até um elogio. Mas adiante.
Não estou a implicar com ninguém, juro! (sangue de Cristo, corto o pescoço) Apenas sei bem o valor lexical e o sentido dos termos em uso na Angola actual.
Falem Kappofy, Kilha, Mafalda, Truka. Estou errada?
Tuga, não é assim tão depreciativo e tem dois valores (subs. e adj.). Passo a exemplificar:
«Está na Tuga» - Está em Portugal (Melóia; Mukweba; Mutrulha; etc)
«Ele é tuga» - Ele é português (por-tuga).
Pior do que tuga é: braga, pula, ngweta ou até kilombo kiassa (albino)... que, ainda assim, perto de «filho de colono!» é até um elogio. Mas adiante.
Não estou a implicar com ninguém, juro! (sangue de Cristo, corto o pescoço) Apenas sei bem o valor lexical e o sentido dos termos em uso na Angola actual.
Falem Kappofy, Kilha, Mafalda, Truka. Estou errada?
Textos que Sobraram 9 - Heróis??
Insistindo na precariedade da história, declaro-me contra os heróis.
Há dias, um amigo escritor comentava que todas essas figuras, imortalizadas para a posteridade, eram verdadeiros terroristas, porque protagonistas de façanhas igualmente terroristas.
Não sei... é um ponto de vista.
Mas talvez não fosse má ideia considerar a revisitação dos manuais, enciclopédias e a decifração de algumas «subliminaridades».
Que esses heróis não se distinguem sempre pela sua prestação positiva, realmente... não. Por seu lado, a visibilidade não pressupõe necessariamente «boas acções» (vejam-se as «notícias» nos media). Mas tudo depende dos prismas de visão...
Agora: a imagem do senhor deitado numa mesa e, literalmente, às moscas (que eram mesmo bué), gostei de ver! Só tinha um senão. Estava incompleta. Ao lado dele, igualmente com a roupa interior a espreitar, poderiam estar os tais gajos das botas em lingerie verde com motivos de Washington com peruca (vulgo notas de dólar).
E ao lado deles, mais outros e outros com boxers verdes e vermelhas com galos ou sem eles, pretas e vermelhas com rodas dentadas ou catanas ou estrelas. Pouco importa.
Um punhado de «heróis», daqueles que a história merece; Bons para uns e maus para outros.
Yá, é isso... E não tenho medo de nenhum castigo divino por falar assim. A minha doutrina é... aquela. (Pelo menos me permite exorcizar, em voz alta, as minhas inquietações sem que nenhum kota me iniba dizendo: «Xê, minina, falar ancim é pêkadu...»)
Admitindo estar a incorrer num «lugar comum», mas sem grandes preocupações a esse respeito, defendo que os verdadeiros heróis são todos os cidadãos anónimos, obrigados a gerir e a digerir essas «incómodas criaturas». ... Mas culpados, também, por acreditarem que uns são melhores do que outros.
E essa é a Angola «ke xtamus ku ele». É mal?
Há dias, um amigo escritor comentava que todas essas figuras, imortalizadas para a posteridade, eram verdadeiros terroristas, porque protagonistas de façanhas igualmente terroristas.
Não sei... é um ponto de vista.
Mas talvez não fosse má ideia considerar a revisitação dos manuais, enciclopédias e a decifração de algumas «subliminaridades».
Que esses heróis não se distinguem sempre pela sua prestação positiva, realmente... não. Por seu lado, a visibilidade não pressupõe necessariamente «boas acções» (vejam-se as «notícias» nos media). Mas tudo depende dos prismas de visão...
Agora: a imagem do senhor deitado numa mesa e, literalmente, às moscas (que eram mesmo bué), gostei de ver! Só tinha um senão. Estava incompleta. Ao lado dele, igualmente com a roupa interior a espreitar, poderiam estar os tais gajos das botas em lingerie verde com motivos de Washington com peruca (vulgo notas de dólar).
E ao lado deles, mais outros e outros com boxers verdes e vermelhas com galos ou sem eles, pretas e vermelhas com rodas dentadas ou catanas ou estrelas. Pouco importa.
Um punhado de «heróis», daqueles que a história merece; Bons para uns e maus para outros.
Yá, é isso... E não tenho medo de nenhum castigo divino por falar assim. A minha doutrina é... aquela. (Pelo menos me permite exorcizar, em voz alta, as minhas inquietações sem que nenhum kota me iniba dizendo: «Xê, minina, falar ancim é pêkadu...»)
Admitindo estar a incorrer num «lugar comum», mas sem grandes preocupações a esse respeito, defendo que os verdadeiros heróis são todos os cidadãos anónimos, obrigados a gerir e a digerir essas «incómodas criaturas». ... Mas culpados, também, por acreditarem que uns são melhores do que outros.
E essa é a Angola «ke xtamus ku ele». É mal?
Terça-feira, Março 01, 2005
«Filiações» perigosas
A eugenia, «filha» de Darwin é má.
O Hitler também pretendeu ser eugenio.
O BE defende a despenalização do aborto e a Holanda oficializou a eutanásia.
Depois há os poetas: Eugénio de Andrade, Eugénio Ferreira ou as esposas de poeta, como a nossa Maria Eugénia Neto.
Um, dó, li, tá
(...)
Quem está livre, livre está.
O Hitler também pretendeu ser eugenio.
O BE defende a despenalização do aborto e a Holanda oficializou a eutanásia.
Depois há os poetas: Eugénio de Andrade, Eugénio Ferreira ou as esposas de poeta, como a nossa Maria Eugénia Neto.
Um, dó, li, tá
(...)
Quem está livre, livre está.
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