Segunda-feira, Março 28, 2005

Em casa

Cheguei e na noite não vi os buracos nas ruas, os mutilados nos passeios, os prédios degradados, o lixo a emoldurar a cidade.
Não vi as novas lojas de modas, de telemóveis e de mobiliário de luxo.
Não percebi os engarrafamentos, os muros em torno das novas vivendas copiadas dos destinos predilectos para as saídas em “missão de serviço” – Europa e “States”.
Mas pensei que tudo isso poderia ficar a descoberto na manhã seguinte quando eu transpusesse o umbral do portão de nossa casa, que a minha mãe insiste em manter um verdadeiro oásis.
Ainda bem.
As mesmas plantas (mais algumas árvores), os mesmos móveis (os sofás são novos), a mesma calma (só algum silêncio mais), as mesmas escadas de madeira encerada (as paredes agora são brancas), os mesmos candeeiros (o da salinha do piano foi mudado), tudo a fazer lembrar aquela infância que apenas iria permitir o aumento dos livros nas estantes do escritório e a substituição periódica dos quadros nas paredes.
Só falta o papá...

3 comentários:

Gonji disse...

Falta nao! Ele esta ai contigo, sempre! Beijo com carinho

nelsinho disse...

Omnipresente...
Beijinho

Anónimo disse...

Comoveste-me!

Beijinho
Mar