Em Angola os bilhetes de identidade contêm um item reservado à «Raça». Se partirmos do princípio que o conceito de raça está cada vez mais fora de circulação nas Academias e não só, pode inferir-se que aquilo que se solicita no BI é a cor da pele, numa camuflagem muito pouco convincente de racismo. Assim, o cidadão tem apenas três opções: branca, negra e... mista. (As respectivas paletes de matizes não estão previstas.)
Ora, para além dos indivíduos brancos, mestiços e negros (de origens Bantu e Vátwa), existe em Angola um grupo etno-linguístico (etnia, povo), os Khoi San (Bochimanes, Mukakalas) ou !Nkung, que não se enquadram em nenhum dos grupos oficialmente «identificáveis» nos Arquivos.
Realmente eles não são nem Bantu, nem negros e não são mestiços. Portanto, a pergunta de como os discriminar no BI é pertinente.
Na verdade, o que se regista é (e porque não se assume isso, então?) a cor da pele, um sinal exterior como a cor dos olhos ou cabelo, o que não me parece coerente.
Havendo apenas duas cores à escolha e uma mista, como «catalogar» ainda um asiático com nacionalidade angolana? Negro? Branco? Amarelo não há!
A propósito; quando estou na «tuga», principalmente no verão, dou comigo a pensar: se estes indivíduos fossem tirar um BI segundo as regras de Angola, seria possível incluí-los a todos no «contingente» dos «brancos»? (e estou a restringir-me às populações que habitam o chamado «Portugal profundo»)
4 comentários:
Os portugas foram-se embora de Angola e quem tomou o poder foram os cipaios. Não há que estranhar portanto essas leis antigas.
Poix...
Não é bem assim, mas... OK.
Wellcome! Falaremos sobre a evolução e melhoramento da língua portuguesa nas ex-colónias.
Devo estar ficando velho...
Realmente lembro-me que os BI naqueles tempos tinham um campo para "sinais particulares", cor dos olhos e cabelo, mas não da raça.
Contrariamente aos colegas Ingleses, sou de opinião que o BI é nos tempos atuais documento importantissimo para qualquer país, com foto digitalizada no proprio papel para evitar fraude,impressão digital e outros meios eletronicos identificativos já à disposição, mas nada de tentar definir raça, que isso é coisa de americano...
Apesar de que a definição deles é simples: Se não tem cabelo louro e olho azul, é black!
Nelsinho
Continuo a pensar que o problema da raça não tem fundamento que não seja de oportunismo político ou de propaganda. Eventualmente também por inércia despropositada, ignorância ou falta d'assunto.
Qual é o problema de ser preto?
ou Khoi/San?
ou 'china'
ou 'monhé'
Ou ainda não se percebeu que um finlandês nunca correrá como um queniano e que um britânico nunca será capaz do pensamento numérico de um indiano?
Que patetice do caraças! Já cansa...
e lembra outros aspectos civilizacionais que não devriam ser motivo de segregação
OU
SERÁ MESMO ESSA A IDEIA?
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