Sábado, Janeiro 15, 2005

Textos que Sobraram 2 - Para o Rui (Kapofy)

Imagina...
Saíres de manhã e encontrares o cacimbo sozinho, já atrevido à tua espera lá fora, a esconder a cor do carro, assim... tapando a curiosidade de espreitar pelos vidros. Tu, com aquela irresistível vontade de ndengue para escrever o nome ou uma asneira no «capô».
O kawélo a dar feio e os ossos a fazerem barulho lá dentro do corpo, zangados. Já estás dentro do puro pululu e quando dás ao arranque... Uá! Não pega! É do frio mesmo.
Mas a raiva desconsegue só de vingar, «kunforme» chegas ali, à rua da Robert Hudsson, e adivinhas que, naquele dia, o nevoeiro cinzento escondeu a baía e a ilha... Adivinhaste mesmo! Inspiras... e, no coração, recuperas o desenho bem feito daquela paisagem que viste desde kandengue e que não queremos ver modificada por prédios e casas e mais ilhas para os pobres de espírito que nunca, por nunca, repararam que, quando o cacimbo bazar , o sol vai passear outra vez as «nossas vistas» por aquela janela da Luanda de todas as gerações!

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