Então e o meu episódio com o músico Matadidi?
Vou contar.
Um dia, ao fim da tarde, vinha eu a descer as escadas da Academia de Musica onde funcionava a Escola de Dança e... dou de caras com o próprio que vinha acompanhado de imponente senhora de bubu e tranças a sair de debaixo de um majestoso turbante.
"- Camarrrada prrrofesorrra", começou ele por me dizer."
- Vim aqui no sentido de verrr se a camarrrada prrrofessorrra, podia me darrr umas aulas de dança...
"Ia-me "passando"!!!"
- 'Tá a verrr...", continuou, "- eu na minha condição de arrrtista do palco necessitava incrrrementarrr a minha forrrma física..."
(Lá estava a tal preocupação com a condição física)
Eu nunca lhe tinha achado nenhuma graça. Nem a ele, nem aos espectáculos que fazia, que eu tinha como quase impossíveis de acontecer.
Mas naquele momento, mudei a minha opinião sobre ele (mantendo, para sempre a anterior, em relação às suas actuações).
Naquela época em que alguns artistas se começavam a convencer que o talento era nato, bastante para a sua "consagração" e que a formação artística era absolutamente dispensável, aquele homem (não muito jovem) vinha pedir-me para o ajudar a melhorar a sua carreira.
"Dei graças a Lenine" (naquele tempo não se podia falar em deus) por a vocação da Escola ser apenas o ensino da dança a crianças.
Ele ficou desolado, mas compreendeu.
Eu, passei a ter mais respeito pelo Matadidi Mário.
2 comentários:
Esse era o próprio zairota Matadidi do Matadidi show?
Eh, pá! Esse termo de "zairota" é forte. É ele sim. O estilo dele era inconfundível; mandava umas passadas... únicas. E a capa que ele usava? Agora regressou aos palcos! Mais kota, claro...
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