Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Café do desassossego 2 - Fiquei à porta

Timidamente hoje vou - sozinha - ao café, pela 55ª vez. Hesito entre o interior e a esplanada. O fumo lá dentro é cada vez mais denso, o sol cá fora estraga-me a pintura. Corro o perigo de ficar desmaq... scarada. Paro no limiar da porta. Assim mesmo, incomodando a passagem... sem querer. Lá dentro, há uma mesa livre com um livro por abrir e uma aguardente por beber. Quero pedir um chá, mas tenho medo que julguem que o não tomei por colher de prata em criança. Mas tomei... a tal criança por um adulto. Então, decido chamar em voz alta para ser ouvida no rio. Não, em voz alta não! (Uma Pwo deve ser sempre discreta)
Está ali um senhor a escrever. Será que me conhece? (E o que interessa isso?)
E se eu me sentasse ao lado dele? «- OLÁ, PODE DAR-ME UMA INFORMAÇÃO, POR FAVOR?...» (Ainda estou na porta e... pronto, já chamei. À atenção. Estão todos a olhar para mim, clientes e empregados. Estou envergonhada, mas ninguém vê.)
«- O que vai acontecer àquele senhor que falta ali naquela mesa do seu diário?» (Durante o percurso até ele decidi, afinal, perguntar-lhe ao ouvido. Para ninguém estragar o resto da estória.)

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